Learnings from Harm Reduction in Latin America

This article is part of a series from INHSU’s Latin American Workgroup, spotlighting perspectives and practices from across the region. In this piece, Rafaela Rigoni, Head of Research at Correlation – European Harm Reduction Network, reflects on her experience working across Brazil, Latin America, and Europe, and explores what global harm reduction efforts can learn from Latin America’s rights-based, community-driven approaches.

You can contact Rafaela at [email protected] Scroll down to read the article in Portugese and Spanish. 

My journey in harm reduction began in Brazil. Since then, I have worked and learned in many other regions of the world, including Europe, where I am currently based. Moving between these contexts has made one thing very clear: harm reduction is not a single model that travels unchanged across countries. It is shaped by social realities, and because of that, different regions have developed different strengths. Latin America has several important lessons to offer.

One of them is what we call a full-spectrum approach to harm reduction. In many Latin American contexts, harm reduction has never been only about preventing infections such as hepatitis, HIV, or tuberculosis. From early on, it was also about reducing the harms produced by punitive drug policies, poverty, stigma, and social exclusion. Harm reduction was therefore closely linked to broader struggles for human rights, social justice, and health equity.

In many countries, especially in the Global North, harm reduction is often still framed mainly around the distribution of supplies or substitution treatment. These interventions are essential, but they are sometimes disconnected from the wider social conditions affecting people’s lives. At a un time when inequalities are increasing globally, when wealth is concentrated in fewer hands and access to care and basic rights is becoming more uneven, the Latin American perspective reminds us that harm reduction must also engage with social determinants of health and public policies that shape vulnerability.

Another important contribution from Latin America is its longstanding experience with stimulant use. While many harm reduction programs in Europe and other regions were built primarily around opioids, several Latin American initiatives developed in contexts where cocaine was predominant. Since the late 1990s, programs in the region have been responding to the needs of people injecting stimulants and, later, people smoking crack cocaine.

These responses, perhaps due to a lack of a substitution treatment for stimulants’ dependence, and lower public health resources, have often been less medicalized and strongly community-based, with a focus on autonomy and person-centred care. Many initiatives emphasize dialogue, reflection, and support for people to make their own decisions about change. Mental health has also played a central role. In Brazil, harm reduction grew alongside a major psychiatric reform movement that promoted community-based care and deinstitutionalization. Services such as the Psychosocial Care Centres integrate harm reduction with mental health support through interdisciplinary teams and strong participation from service users and families. These experiences may be particularly valuable today, as stimulant use is increasing in many parts of the world that previously focused mostly on opioids. They can also inspire solutions for the increasing need for mental health care and the structural barriers to treat co-morbidities and meet people where they are.

Finally, another important concept is the one of the “Expanded Clinic” (Clínica Ampliada). This model encourages professionals to look beyond symptoms and consider the social, psychological, and cultural dimensions of health. It emphasizes shared decision-making, autonomy, and holistic care. People who use drugs are recognized as capable of understanding their own needs and participating actively in decisions about treatment, an approach that strengthens engagement, responsibility, and empowerment.

These experiences remind us that harm reduction knowledge does not flow in only one direction.  It is important not to assume that harm reduction developed in one region can simply be transplanted to another. Context matters. At the same time, we should also avoid assuming that approaches from the Global North are inherently more advanced than those developed elsewhere. Countries in the Global South may face fewer financial resources and political support, but they bring immense creativity, expertise, and resilience. Creating more spaces to share these lessons is essential if we want a truly global and collaborative harm reduction movement. By listening to one another across regions, we strengthen a global harm reduction movement that is more diverse, more equitable, and ultimately more effective.

Versão em portugues: Aprendendo com a Redução de Danos na América Latina

Minha jornada na redução de danos começou no Brasil. Desde então, trabalhei e aprendi em muitas outras regiões do mundo, incluindo a Europa, onde trabalho e resido atualmente. A transição entre esses contextos deixou uma coisa muito clara: a redução de danos não é um modelo único que se mantém inalterado em diferentes países. Ela é moldada pelos contextos culturais e sociais e, por isso, diferentes regiões desenvolveram diferentes pontos fortes. E a América Latina tem várias lições importantes a oferecer a outras regiões.

Uma delas é o que chamamos de redução de danos ampliada. Em muitos contextos latino-americanos, a redução de danos nunca se limitou à prevenção de infecções como hepatite, HIV ou tuberculose. Desde o início, se dedicou a reduzir os danos causados ​​por políticas punitivas de drogas, pobreza, estigma e exclusão social. A redução de danos iniciou e continua intimamente ligada a lutas mais amplas pelos direitos humanos, justiça social e equidade em saúde.

Em muitos países, especialmente no Norte Global, a redução de danos ainda é frequentemente focada principalmente na distribuição de insumos ou no tratamento de substituição para opióides. Essas intervenções são essenciais, mas às vezes estão desconectadas das condições sociais mais amplas que afetam a vida das pessoas que usam drogas, principalmente, daquelas que se econtram em maior vulnerabilidade. Em um momento em que as desigualdades estão aumentando globalmente, em que a riqueza está concentrada em menos mãos e o acesso a cuidados e direitos básicos está se tornando mais desigual, a perspectiva latino-americana nos lembra que a redução de danos também deve abordar os determinantes sociais da saúde e as políticas públicas que moldam a vulnerabilidade.

Outra importante contribuição da América Latina é sua longa experiência com o uso de estimulantes. Enquanto muitos programas de redução de danos na Europa e em outras regiões foram construídos principalmente em torno de opioides, várias iniciativas latino-americanas se desenvolveram em contextos onde a cocaína era predominante. Desde o final da década de 1990, os programas na região têm respondido às necessidades de pessoas que injetam cocaina e, posteriormente, de pessoas que fumam crack ou outros estimulantes.

Essas respostas, talvez devido à falta de um tratamento de substituicao para a dependência de estimulantes e aos menores recursos para a saúde pública, têm sido menos medicalizadas e fortemente baseadas na comunidade, com foco na autonomia e no cuidado centrado na pessoa. Muitas iniciativas enfatizam o diálogo, a reflexão e o apoio para que as pessoas tomem suas próprias decisões sobre as mudanças que desejam realizar. A saúde mental também desempenhou um papel central. No Brasil, por exemplo, a redução de danos cresceu juntamente com um importante movimento de reforma psiquiátrica que promoveu o cuidado baseado na comunidade e a desinstitucionalização. Serviços como os Centros de Atenção Psicossocial integram a redução de danos ao apoio à saúde mental por meio de equipes interdisciplinares e forte participação dos usuários e familiares. Essas experiências podem ser particularmente valiosas hoje, visto que o uso de estimulantes está aumentando em muitas partes do mundo que antes se concentravam principalmente em opioides. Elas também podem inspirar soluções para a crescente necessidade de cuidados em saúde mental e para as barreiras estruturais que dificultam o tratamento de comorbidades e o atendimento às pessoas onde elas estão.

Por fim, outro conceito importante é o da “Clínica Ampliada”. Esse modelo incentiva os profissionais a olharem além dos sintomas e a considerarem as dimensões social, psicológica e cultural da saúde. Ele enfatiza a tomada de decisão compartilhada, a autonomia e o cuidado holístico. As pessoas que usam drogas são reconhecidas como capazes de compreender suas próprias necessidades e de participar ativamente das decisões sobre o tratamento, uma abordagem que fortalece o engajamento, a responsabilidade e o empoderamento.

Essas experiências nos lembram que o conhecimento sobre redução de danos não flui em apenas uma direção. É importante não presumir que a redução de danos desenvolvida em uma região possa ser simplesmente transplantada para outra. O contexto importa. Ao mesmo tempo, também devemos evitar presumir que as abordagens do Norte Global sejam inerentemente mais avançadas do que as desenvolvidas em outros lugares. Os países do Sul Global podem enfrentar menos recursos financeiros e apoio político, mas trazem consigo imensa criatividade, conhecimento especializado e resiliência. Criar mais espaços para compartilhar essas lições é essencial se quisermos um movimento de redução de danos verdadeiramente global e colaborativo. Ao nos ouvirmos mutuamente, entre as regiões, fortalecemos um movimento global de redução de danos mais diverso, mais equitativo e, por fim, mais eficaz.

En Espanol: Aprendiendo de la Reducción de Daños en América Latina

Mi trayectoria en la reducción de daños comenzó en Brasil. Desde entonces, he trabajado y aprendido en muchas otras regiones del mundo, incluyendo Europa, donde actualmente resido. Moverme entre estos contextos ha dejado algo muy claro: la reducción de daños no es un modelo único que se traslade sin cambios entre países. Está conformada por las realidades sociales, y por eso, diferentes regiones han desarrollado fortalezas distintas. América Latina tiene varias lecciones importantes que ofrecer.

Uno de ellos es lo que llamamos un enfoque de espectro completo para la reducción de daños. En muchos contextos de América Latina, la reducción de daños nunca ha sido únicamente sobre la prevención de infecciones como la hepatitis, el VIH o la tuberculosis. Desde sus inicios, también se trataba de reducir los daños producidos por las políticas punitivas de drogas, la pobreza, el estigma y la exclusión social. Por lo tanto, la reducción de daños estaba estrechamente vinculada a las luchas más amplias por los derechos humanos, la justicia social y la equidad en salud.

En muchos países, especialmente en el Norte Global, la reducción de daños a menudo todavía se enfoca principalmente en la distribución de suministros o en el tratamiento de sustitución. Estas intervenciones son esenciales, pero a veces están desconectadas de las condiciones sociales más amplias que afectan la vida de las personas. En un momento en que las desigualdades están aumentando a nivel mundial, cuando la riqueza se concentra en menos manos y el acceso a la atención y a los derechos básicos se vuelve más desigual, la perspectiva latinoamericana nos recuerda que la reducción de daños también debe involucrarse con los determinantes sociales de la salud y las políticas públicas que conforman la vulnerabilidad.

 

Una aportación relevante de América Latina es su vasta experiencia en el abordaje del consumo de estimulantes. Mientras que muchos programas de reducción de daños en Europa y otras regiones se construyeron principalmente en torno a los opioides, varias iniciativas latinoamericanas se desarrollaron en contextos donde la cocaína era predominante. Desde finales de la década de 1990, los programas en la región han estado respondiendo a las necesidades de las personas que inyectan estimulantes y, posteriormente, de las personas que fuman crack.

 

Estas respuestas, quizás motivadas por la ausencia de tratamientos sustitutivos para la dependencia de estimulantes y por los limitados recursos de salud pública, han tendido a ser menos medicalizadas y más arraigadas en la comunidad. El enfoque se centra en la autonomía y la atención personalizada, priorizando la participación activa de las personas en su propio proceso de cambio. Muchas iniciativas destacan el valor del diálogo, la reflexión y el acompañamiento para que cada individuo pueda tomar decisiones informadas sobre su bienestar.                   La salud mental ocupa un lugar central en estas propuestas. En Brasil, por ejemplo, la reducción de daños avanzó en paralelo con un importante movimiento de reforma psiquiátrica orientado a la atención comunitaria y la desinstitucionalización. Servicios como los Centros de Atención Psicosocial integran la reducción de daños con el apoyo a la salud mental, trabajando en equipos interdisciplinarios y fomentando la participación tanto de usuarios como de sus familias.                                                     Estas experiencias resultan especialmente valiosas en la actualidad, en un contexto donde el consumo de estimulantes crece en regiones antes ocupadas principalmente por los opioides. Pueden servir de inspiración para afrontar la creciente demanda de atención en salud mental y superar las barreras estructurales que dificultan el abordaje de comorbilidades y la atención centrada en el contexto de vida de las personas.

 

 

Finalmente, otro concepto importante es el de la “Clínica Ampliada”. Este modelo anima a los profesionales a mirar más allá de los síntomas y considerar las dimensiones sociales, psicológicas y culturales de la salud. Hace hincapié en la toma de decisiones compartida, la autonomía y la atención integral. Se reconoce que las personas que usan drogas son capaces de comprender sus propias necesidades y de participar activamente en las decisiones sobre el tratamiento, un enfoque que fortalece la implicación, la responsabilidad y el empoderamiento.

 

Estas experiencias nos recuerdan que el conocimiento sobre la reducción de daños no fluye en una sola dirección. Es importante no asumir que la reducción de daños desarrollada en una región pueda simplemente trasplantarse a otra. El contexto importa. Al mismo tiempo, también debemos evitar suponer que los enfoques del Norte Global son inherentemente más avanzados que los desarrollados en otras partes. Los países del Sur Global pueden enfrentar menos recursos financieros y apoyo político, pero aportan una inmensa creatividad, experiencia y resiliencia. Crear más espacios para compartir estas lecciones es esencial si queremos un movimiento de reducción de daños verdaderamente global y colaborativo. Al escucharnos unos a otros entre regiones, fortalecemos un movimiento global de reducción de daños que es más diverso, más equitativo y, en última instancia, más efectivo.

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